sábado, 10 de novembro de 2012

Não era amor, era outra parada mais legal.
— Engelberg

Reviver.

Só tinha ouvido falar em uma coisa que ressuscitava e era Jesus Cristo. Que bateu as botas e depois estava ali ô, de frente com todo mundo. Achei que amor não ressuscitasse. Apesar de não serem 3 dias foram 4 meses que passaram, e puf, te amando novamente. É ambos tem suas certas semelhanças, Cristo morreu por amor, eu ressuscitei o amor. Que já estava morto, não a 7 palmos abaixo na terra, mas a umas 7 constelações atrás. Já fazia algum tempo que você não me dava essa sensação, nem sua presença me dava arrepios. Até achei que éramos amigos, uma amizade com você cairia muito bem como um disfarce pro meu coração se achegar perto de você. Nossa, ele enganou até a mim. Tudo bem, confesso, me deixei ser enganado. Mas não imaginava que amor era assim, acho que tinha até esquecido os sintomas. Nem me controlar to conseguindo, é amor mesmo né? Mas não se assusta não, é tudo muito difícil, complicado e por várias vezes te dará raiva mas quando você ama esquece tudo porque segundo minha teoria: “Sentimento ultrapassa qualquer emoção, pensamento, vontade e regra.” .
Pois assim não tive como conter, ressuscitou. Toda aquela coragem de amar, desejo de paixão e necessidade de carinho, borboletas no estômago e saudade incessante. Tá pulsando junto com todo o meu sangue. 
João Pedro Silveira, amatório — Reviver. 

Nem toda poesia do mundo.

Fui trovador
Poeta prosador
Sonetista social
Contista de terror
Filósofo imoral
Realista até no amor
Fui, até, um belo romântico
Por último, moderno
Agora sou contemporâneo

— Vitor M. Costa

Embriaguem os sãos, o porre de amanhã que se lasque.


De coração sóbrio ninguém se apaixona.
João Pedro da Silveira, amatório. 


Lastimável poesia.

Lastimável poesia 
se perdeu na ventania
diante de tantas lágrimas
perdi os versos, perdi a rima
dei saltos muito grandes entre as linhas
seria o mais belo drama, 
mas drama maior que perder uma poesia
é não saber escrever a poesia. 


— J. Silveira —Lastimável poesia.

Por obséquio, encerra esse drama.

Queria saber descrever a dor mas como se não fosse um drama, queria gritar a todos os cantos sem ser escandaloso. Quero todo o impossível que o mundo me tirou, quero ter a coragem que prometi pra hoje. Mas sou limitado, por isso coloco fim, a isso, que em nada vai dar.
João Pedro Silveira, amatório.

Bilhete do apartamento 28.

Prometi aos quatro cantos, escrever para você? J-A-M-A-I-S. Mas não tem como, eu não vivo sem pensar em você e mesmo em meio ao meu silêncio eu ouço você, eu canto você e fazer o que eu amo você. E queria aproveitar essa merda que to fazendo de te escrever de novo, pra te pedir desculpas. Ah sei lá, me desculpa não consegui te fazer feliz o tempo todo, me desculpa porque sei que fiz muita merda em te deixar escapar, me desculpa quando prometi amor eterno pra você e por um segundo eu não cumpri. Devo tá falando tanta merda, mas é porque não era pra eu te escrever. Me desculpa também porque não fui atrás de você, não sei se você esperou, mas tá, eu devia ter ido atrás pra depois não ficar esse sem graça com escritas melosas. Queria desabafar contigo. Já que você chegou até aqui, não para não, prometo que é a última. Cara, queria te dizer tanta coisa, mas agora tá fugindo tudo. Sabe, eu nunca te esqueci. Não sei como dizer isso depois de tanto tempo, mas é que a saudade de você, a vontade de você eu nunca esqueci. Nunca foi embora. Nossa, eu nunca vou me esquecer daquelas noites que passamos juntos. Do jeito que a gente se falava, do amor que tinha naquilo, do jeito que você mexia seus lábios só pra chamar minha atenção. Também queria aproveitar que está lendo isso pra dizer que eu tenho certeza que foi, e pra mim ainda é um amor verdadeiro. Porque eu não sei nada além de seu nome, seu telefone, seu e-mail mas o mais importante eu sei; Você é única. É a unica que eu amo. Bom, espero que não tenha se cansado de ouvir tanta besteira, não é tudo que tenho pra te dizer, mas já falei demais. 
João Pedro Silveira, amatório

Fofocas, Linguarias.

Zé, Maria enlouqueceu. Fica tendo saudade, chorando pelos cantos, escrevendo poesias, sonhando acordada. Até parece que está amando.
João Pedro Silveira, amatório

Foi a noite mais amarga que vivi.

Me auto acusei. Me julguei culpado em todos os casos. Me condenei para a forca e cadeira elétrica. Me suicidei, fazendo um homicídio. Me matei com todos os motivos do mundo. Já não aceitava mais desculpas, nem menos justificativas. O certo era a morte. Minha única salvação seria morrer. Já não aturava esse mundo, muito menos um outro que viesse. Quis morrer, pra que tudo acabasse. Pra que o dia não começasse mais, pra que as borboletas dentro do estômago morressem junto de mim. Pra que a angústia, não tivesse o meu coração, como casa própria. Foi assim, bem assim que decidi que o gosto doce dos teus beijos seria o amargo mais amargo que já senti em vida. E assim tudo que era doce e belo ficou amargo e entediante. Por isso assim, a vida de morte me espera.
João Pedro Silveira, amatório — Foi a noite mais amarga que vivi. 
Clarisse chegou, trouxe consigo muito amor, trouxe um aperto no coração, um tanto quanto de bagunça. E borboletas, muitas borboletas.

João Pedro Silveira, amatório — Clarisse e Mateus
Ainda que eu ande distraído, sei muito bem o que um coração precisa. Conheço a fórmula do amor, com todos truques e manias. Porém me esqueci do quão bom é ver um amor pronto.

— João Pedro Silveira, amatório. 

Nem toda poesia do mundo


Desmembra esses versos, poeta
que ficaram enrolados 
amarrados em teus lábios
deixa todo sentimento, poeta
que ficou aprisionado
desmembra esse enrolado
desfaz o emaranhado

solta uma poesia, poeta.  

   — J. Silveira, amatório. - Nem toda poesia do mundo.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Ela vai perceber.

Ele se olhava no espelho com um olhar de desespero. E cada vez que percebia mais seus desespero se desesperava mais ainda. Só faltava ele se perfumar agora para sair. Mas parecia que estava esquecendo alguma coisa. Vamos revisar:

- Chaves, anel, carteira, celular e rosa.

Tudo aqui, e agora o que vou fazer ? Ah é perfume. Nossa já são 20:30 não vai dar tempo. To atrasado. Esse cabelo que não para quieto. Será que ela já tá pronta? Acho que vou mandar sms [...] Não, vou parecer muito ansioso, ela vai perceber.

Acho que vou fumar um cigarro antes de sair pra acalmar, mas não dá tempo e vou chegar cheirando a cigarro, deixa pra depois. Acho que não vai dar certo. Porque ela iria aceitar? Faz só 3 semanas. Talvez a rosa ajude um pouco ou seja muito antiquado. Vou deixar a rosa, ela não vai gostar. Mas mulheres amam rosas. Talvez se eu souber algumas palavras bonitas pra dizer pode ajudar. Nada ajuda. Tenho que ter coragem. Vamos.

Ele sai de casa e vai até o carro, que estava brilhante, parecia carro comprado hoje, e por dentro cheirava a jasmim, com tudo arrumado em seu lugar, e no rádio tocava uma canção dos anos 60 do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles, with a litlle help from my friends. Não era nenhum música romântica, para combinar com a noite, mas uma noite que o lembrou de sua infância. A cada semáforo em que parava, arrumava seu cabelo. Até que chegou numa ruazinha bem calma sem semáforo, sem movimentação. E parou em frente a quarta casa e esperou. Logo pegou o celular e ligou para ela:

-Alô, oi meu amor. Tá Pronta ? To aqui na frente te esperando.

Ele desligou, abaixou o vidro do carro, e começou a arrumar o cabelo de novo. Depois de um pouco mais de 2 minutos, ela saiu pela porta com um vestido preto. Nada de muito diferente, com alguns detalhes em dourado, um par de brincos muito elegantes, sapato de salto uma maquiagem que realçava sua beleza. Ele desceu do carro e foi ao encontro dela. Se beijaram. Ele então abriu a porta para ela e depois entrou no carro. Agora o rádio estava sem música, o radialista falava sobre o trânsito da noite. Ele até tentou falar alguma coisa, mas ela não entendia nada sobre carros e futebol. Então se fez silêncio até chegarem em um restaurante. Oque aconteceu depois ficou entre eles. Mas que depois de 3 meses, esse garoto estava de preto, e gravata borboleta apertada, sobre um Altar, com os olhos aguados enquanto a mesma moça entrava com um vestido simples novamente, porém ainda bonito entrava por um corredor todo enfeitado. Ah disso eu sei.



- João Pedro da Silveira in " Ela Vai perceber"

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Ih, saiu uma

Tá tocando a música na rádio, eu acordei com ela tocando. Comecei a sonhar dormindo, depois acordei, decidi sonhar acordado porque sonhar acordado é quase real, sonhar dormindo não tem graça. Eu tava afim  de nós, tava com saudade de nós dois. Sabe o que é, faz tempo que a gente não se conversa. Esses sentimentos irreais que vem e vão, sempre acabam com a gente, e nós estávamos, quase que mortos. Mas já que é passageiro, passou, e lá vamos nós apanhar mais uma vez. Essa maré não desiste mais, de bater, bater e tentar derrubar. Passei acreditar até no infinito do céu, da água, porque poxa não para. E mesmo no irreal de tudo isso, eu quis inventar um personagem que vivesse bem, um personagem que não fosse triste nem feliz, mas que ele fosse. O que cá entre nós, muitos não vão, só ficam. Mas ele é corajoso ele vai, meio sem rumo, desnorteado, mas tá quase chegando eu acho. Eu não conheço ele muito bem, sei do estado dele, só pela aparência do rosto, mas ele tá tão distante de mim, mas tão perto do fim. Isso eu sei, ou ele está distante do fim, e cá eu estou perto do fim ? Difícil, tá tudo branco, às vezes cinza, alguns dias acorda azul, mas nunca tem começo nem fim. Só o personagem seguindo. Já pensei em criar uma história pra ele pra ver se alegra ou entristece, se muda de cor, se tem diferença. Mas deu preguiça, e ele fez uma cara de quem não gosta de histórias. Daí então exclui a hipótese de contar uma história pra ele. Pensei em talvez música, pra alegrar, uma música com ritmo calmo mas melodia contagiante. Que não fale sobre amor, mas fale da moça com amor. Mas eu tava falando de saudade, que é coisa ruim. Ele deve sofrer de saudade, tá sempre sozinho, já deve ter se apaixonado alguma vez. Que tal uma companheira pra ele? Seria bom, tiraria a solidão. Dava pra conversar com ela já que ele parece que nem boca tem pra conversar. Mas saudade dói, não esqueça, ok? Por isso desapegue, qualquer coisa, nem apegue. Acho que vou ter que dar história pra ele, porque agora to com mania de vontade. E quando desato a ter vontade parece que não passa, e deu vontade de fazer história, quem sabe ele goste de uma história, posso dar companheira pra ele na história. Todo mundo adora companhia, e se eu escrever que ele vai amar ela, ele então vai adorar a companhia dela. Que tal? Acho que ele vai gostar né? Posso até mudar o mundo de cor, se eu escrever a história, se ele falar eu ponho a cor que ele gosta, uma cor que espante saudade. Porque sabe a música não terminou ainda, e saudade tem que ir embora. Saudade deveria ser tipo coisa que a gente manda: Vai embora! Vem aqui! Vem amanhã, pode ser ? . 
Acho que saudade seria legal assim, mas como não é, a gente tira saudade da história porque história a gente que manda. Acho que por isso que todo mundo gosta de ouvir, escrever, inventar história é a gente que manda na história. Pena que só o moço que vive na história, eu não! Nossa tava escrevendo moço, e me toquei que eu não sei o nome dele, também, ele não fala nada. Se eu fizer história ele pode ter nome. Quando pai vai dar nome no filho, é quase uma história, ele escolhe o nome, e tudo, arruma as linhas, o caderno, até a capa mas a história mesmo é o filho que escreve. Pais são legais, né? A parte mais chata eles fazem, o mais legal que é inventar e viver a história eles deixam pros filhos. Como será que meus pais escreveriam minha história?! Será que o moço sem nome da história não tem pai ? Quem saiba eu possa deixar ele escrever a história do filho dele. Ele é quase meu filho, se eu escrever a história dele, nossa! Mas quem fez a capa, linha, margem e o caderno ? Já tá tudo meio que pronto parece. Ou vou ter que escolher? Parecia tão fácil vir aí escrevendo história pros outros, mas já to cheio de dúvidas. Já devo ter te deixado com muitas dúvidas também, coloquei muitas interrogações aqui. Mas é que nunca fiz história, e parece difícil, vou deixar quieto. História é quase como saudade. Deixa a gente cheio de dúvida, parece fácil, mas dá uma trabalheira. 

- João Pedro Silveira in "Ih, saiu uma" 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Shiiu, é nosso segredo

"Era um amor de corredor. Um corredor que era tão claro ás vezes, era como antes iluminava tudo e abria caminho para a porta no fim, corredor que dava um ar de liberdade que você podia correr, se esconder, gritar e chorar. Sem se importar se alguém estava vendo, se esse corredor teria um fim. Era um amor secreto. Que ninguém podia saber, os únicos que sabiam eram eles e as raios de luz que iluminavam a sala que pareciam transportar uma energia dentro do olhar de um para o outro. Como se tudo parasse, e olhares eles trocassem. Depois tudo volta ao normal. Até acontecia deles trocarem carinhos de longe, era quase como se o chão desabasse e o céu descesse a terra e tudo era um sonho. Era um amor antigo, já calejado. Mas mesmo com as marcas do tempo, e as barreiras que se impuseram ele não sumiu. Bastou um olhar, uma melodia na voz doce, um movimento, um toque para que tudo fosse como antes. Era um amor inocente. Não cobiçava muita coisa, não visava um futuro muito longo ou muitas provas de amor, não tinha nenhum desejo promíscuo ou mistério qualquer. Era um amor simplório, não precisava de coisas caras, paisagens bonitas, climas quentes. Era necessário ele mais ela. Era um amor quase que perfeito. Senão fossem as falhas individuais, de deixar que eles não fossem donos de sua própria vontade, eram personalidades que deixaram que a sociedade dominasse seus desejos, e tinham medo que não fossem agradar, senão seguissem aquilo que lhes disseram. Portando foram vivendo. Mas dentro de seus corações era o desejo ardente, queimando, flamejando e abrasando de viver todo esse amor que estava escondido. Ambos queriam namorar, queriam ter sua vida juntos. Queriam poder ficar as tardes de sábado comendo porcarias e assistindo a comédias românticas esparramados pelo chão da sala, e se beijar como se não houvesse amanhã. Queriam poder implicar com as coisas mais bestas um com o outro e no final de toda discussão, tudo terminasse em muitos beijos e carinhos. Mas o medo os atrapalhou tanto.  E todo dia que acordam, continuam com a mesma vida. “Sem mudanças, com a mesma rotina, na esperança de que amanhã acordem encorajados e consigam lutar pelo maior desejo deles.”

-João Pedro Silveira in " Shiiiu, é nosso segredo"  

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Serenata


E se eu disser que te amo? E se eu agora te ligar e falar as mais lindas juras de amor, por ti? E se eu disfarcei tão bem esse tempo todo, sendo seu amigo, mas na verdade querendo ser seu namorado? E se eu lhe dizer que tudo que eu escrevi foi pra você? Que todos os sorrisos sinceros, foram por você? Que todas as angústias, eram só por te ver mal ou por você não perceber tudo que eu sentia? Ah seria delírio meu acreditar em tudo isso, o máximo que consigo é gritar com meu silêncio que te amo. Não foi tão por acaso que todos os dias sigo a todos seus passos, e me passo de bobo só pra… pra ter você um tanto a mais perto de mim. Arranjo desculpas, invento histórias só pra dizer que preciso estar perto de você. Mais coisas de minha cabeça, tantas coisas, tantos contos de fadas em que nós tínhamos o final feliz. Se eu te falar que já não aguento mais de saudade, se eu suplicar com meus olhos, se eu suspirar de saudade você mata ela ? Tá batendo tão forte aqui agora, to achando que irei precisar de você pra acalmá-lo. Você que está lendo deve estar achando isso clichê demais ou meloso demais, mas se você for você, eu sei que não vai. Vai estar achando a coisa mais fofa, eu sei que adora mimos. Voltando a me declarar a você, não posso me esquecer de dizer uma coisa. MATA O QUE ESTÁ ME MATANDO. Não adianta, já tentei em outras, mas não passa. Não sei como, só você mata essa minha carência. Acho que até vou mudar a forma como chamo, não é carência, e sim falta de você ou carência de você. E por fim, não quero demagogias ou pedidos implorando a nada. Só peço:
-Sorria!

-João Pedro Silveira in "Serenata" 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

"Teus Braços"

"Então me abraça, e me mostra que o mundo mesmo sem sentido pode ser vivido, que a vida com você valerá a pena. Então me abraça e me consola de todos os males que são notáveis em mim, de todas as dores que deixei escapar. Me abraça e isola todas as angústias que se podem ter, e tira de mim a carência que por só agora te ter. Então me abraça e me faz provar do gosto do mundo do prazer, de ter teu corpo junto ao meu, de poder sentir sua respiração ofegante do calor do meu corpo no seu. Então me abraça e afasta toda cotidianidade existente em mim, tudo que era passado se vá, e tudo que há de vir ocupe o espaço vazio que se precipita em existir. Me abraça e ocupa o vazio, preenche a todos os espaços e a cada um deles com ar de nova esperança e rumo novo a seguir, chegue com teu cheiro marcante causando sensações. Então me abraça, e me faça borrar todas as memórias que há, que as lembranças fiquem, pois só me lembro dos momentos bons, agora o que está lá dentro pode apagar, você virá e escreverá uma outra nova estoria, não quero mais uma estoria clichê,quero uma insana história que me faça rir, não quero mais uma estoria agora estou esperando pela nossa história. E por fim me beije, e me faça sentir, somente sentir, nada além disso[…] o amor que há em nós."


-João Pedro Silveira in Teus Braços 

sábado, 21 de abril de 2012

Epidemias

Faz tempo que não escrevo pra você, não é querida ? Espero que tenha, como eu, sentido falta de cada palavra ou da melodia que se cantava dentro do coração quando minhas serenatas você lia. Mudei bastante nesse tempo, amadureci exageradamente, mudei meus pensamentos e propósitos. Deve ter percebido desde o princípio, conhece mais a mim do que eu mesmo. Mudei até o jeito com que te chamo, foi sem perceber, foi sem querer. Mas eu entendi você cresceu. Nós crescemos. Acho só que esse tempo silencioso, que somente as gotas da chuva que caía falava por nós, foi uma confirmação , uma certeza que vinha e o mais rápido que podia já se ia. Como um raio cheio de luz dentro de uma tempestade. Todo esse tempo esse raio bateu, bateu mas nós não percebemos. Confirmando que não importa o tempo que passar, o quanto crescermos ou o quanto mudarmos, nosso amor vai continuar dentro de nós. É pelo menos espero que você também tenha visto o mesmo raio que vi. E quanto mais o tempo passar mais ele vai crescer, e nesse silêncio ele só vai crescer mais e mais, como nós. Cessa o silêncio, querida. Um simples olhar, eu irei entender tudo o que você escondeu por todo esse tempo e tudo que você quer dizer para mim. Seu “Romeu” sempre vai estar disposto a matar e morrer por você. Deve agora estar achando estranho, passar todo esse tempo e eu ser o mesmo apaixonado por você, que faz loucuras, e que combina palavras pra te conquistar cada dia mais. Mas nada mudou, ou melhor, mudou sim. Como já disse tudo aumentou, veio a saudade e explodiu. Tá tudo exposto agora. Estou me sentindo indefeso, sem saída e sem chão, mas fazer o que. Arriscar pra te ter. Mas eu não quero desistir, eu cresci, amor cresceu. Agora querida, só cabe a você olhar para o seu Romeu."
- João Pedro Silveira in Epidemias  

domingo, 8 de abril de 2012


E a saudade gritava em seu peito: 
- Cara, desapega!

-João Pedro Silveira. 

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Interrogação


E casualmente tudo se transformou tão informal, daquilo que era uma grande amizade, um meu amor secreto por você, se tornou quase como dois desconhecidos. Mesmo que eu tente se faz indiferente a mim como se eu fosse um passado, mas o verbo amar era pra ser no gerúndio não ? Por isso não combina somente eu dizer que estou te amando. Perceptível então que o pseudo amor que era secreto, se tornou algo confidencial, pois agora ele se fez secreto a mim mesmo. Escondi-o debaixo de todos os meus escritos na gaveta mais funda, situada no baú mais velho e empoeirado que encontrei. Contudo, os versos dos escritos não afugentaram todo o amor que estava guardado nem toda a poeira que seria uma barreira conseguiu conter esse amor. E todos os versos dramáticos, todas os tristes fins se transformaram assim que foram tocados pelo amor, assim como todos percebem o odor de uma bela rosa e se encantam, assim aconteceu com todos que conheceram por aquele amor, mesma a poeira mais petulante que sujava a gaveta se rendeu  a valentia desse amor. Que cada vez mais, cada segundo mais, inchava a gaveta e se dilatava como minhas pupilas  ficaram ao ver você naquela noite. E assim faço a maior descoberta que já ouvi falar em historias de botequim. Descobri o seu segredo pra quando chegar perto a mim me faça um bobo, me faça ser o quão mais inocente e atrapalhado possível. Você sempre vem e abre essa desbotada gaveta e na fragilidade de todo esse amor desmedido, se expandi a um modo que nem imaginava poder deixando-me em suas mãos. De tudo isso valeria a pena, todo o medo e temor a voz repelente e o olhar baixo, se tu chegasses em meu ouvido e sussurrasse as palavras que escrevestes em teu poema ao teu amor. Agora vago lá, se foi para mim, no entanto meu coração, em sua fragilidade de amor, sem sua proteção diz que foi para ele, sente esse amor vibrando e fazendo bombear cada vez mais sangue deixando minhas mãos tremulas, assim como o racionalismo do meu ser diz que ela se quer se lembra daquela noite em que trocamos olhares. Logo então desvio meu olhar rapidamente e volto com mais um verso pra se sobrepor ao amor dentro da gaveta. O novo escrito não se sabe o nome mas sabe-se que ao fim de cada verso se tem a interrogação da incerteza. 


- João Pedro Silveira in "Interrogação"

segunda-feira, 26 de março de 2012

E Maria só tinha 14 anos


A pequena Maria era diferente do resto das pessoas pois procurava a loucura e não lucidez, ela sorria sozinha, toda vez que chovia ela chorava o dia todo pois segundo ela Deus também se cansava de guarda tanta coisa só para ele e uma hora chorava e com suas lagrimas que vinham do céu de alguma forma  ele lavava a alma dos humanos sujos e inúteis aqui da terra. Maria sorria, usava um óculos fundo de garrafa e um aparelho esquisito, mais o seu interior era lindo, era alegre diferente dos clones que as pessoas resolveram se tornar, ela adorava demonstrar o que sentia e isso a tornava uma pessoa ridícula aos olhos do mundo, mas Maria aprendeu a criar seu próprio universo onde ela não se baseava nos padrões escrotos que a sociedade impunha. Ela definitivamente podia ser o exemplo vivo de que felicidade não é momentânea, de que a vontade de viver vem da esperança de cada amanhecer e mesmo que tudo estivesse desmoronando o brilho do sorriso era capaz de vencer todo o escuro que lutava para acabar com a felicidade daquele corpo magro e desengonçado de Maria. Apesar de ter os piores apelidos da escola, tinha uma força e um poder que ate a própria alegria invejava. Maria era menina de sorte, não tinha amigos, mais tinha um cachorro de rua, sujo que sempre a acompanhava ate a entrada da escola. Quando o sinal batia Maria era a primeira a sair correndo, e cortava toda a multidão para abraçar o fedido e sarnento do cachorro que ainda a esperava lado de fora da escola. Todos tinham nojo do animal, mas Maria tinha um amor incondicional pelo bichinho. Era dia e noite com o cachorro que ela resolveu dar o nome de miau… Isso mesmo miau, só não me pergunte o porque. Nos finais de semana, ela ia trabalhar no trailer do pai, vendendo cachorro quente. Essa era a rotina da pequena Maria. Ela tinha 4 irmãos, era a única mulher da casa já que a mãe era uma vadia qualquer que abandonou o pai para ir a uma viajem que não deu certo para a Bahia com um homem nojento, um mulato de 1,90 de altura que assim que viu que ”Adelaide” não prestava nem para lavar suas cuecas, a abandonou no ponto de ônibus na madrugada de um domingo qualquer. Maria tinha uns 6 anos e nunca mais ouviu falar da mãe que resolveu naquela mesma noite, se matar por ter sido abandonada, por ter escutados umas boas verdades, por perceber que não prestava.
Maria passou a partir dai cuidar da casa e dos irmãos. Maria hoje era pra ter 16 anos. Seu pai um homem de uns 49 anos, cabelos brancos e uma cara acabada, era fechado para o mundo, nem com Maria se comunicava direito. Era um homem culto que admirava respeito e era respeitado e admirado tanto pelos filhos como pela vizinhança pela sua história de um amor não correspondido, era admirado por ter dado a volta por cima e consegui superar a pior barra que era ser pai solteiro, ou melhor viúvo de 4 crianças. Pedro o irmão mais novo tinha 9 anos, os gêmeos Vitor e Valter tinham 11 e eram uns capetas. Suzana a Irma mais velha se perdeu nas drogas quando a mãe saiu de casa. Ela tinha 10 anos quando a mulher fugiu com o mulato e sumiu também, as vezes aparece dormindo no banco da praça, mas sua aparência é irreconhecível. Maria, continuava a estudar, e por sinal sempre foi aluna esforçada, tinha a esperança de um dia se formar e dar uma vida melhor a família. Continuava cuidando de Miau, e dos irmãos, nessa época ela tinha 13 anos. Em uma manha de domingo, ao acordar percebeu que o pai não havia dormido na casa e desesperada saiu pra rua de pijama mesmo, encontra então o pai bêbado, deitado debaixo do caminho do vizinho da frente Osvaldo. Maria chorando por ver o pai naquele estado e em uma  tentativa fracassada de o tirar daquele lugar, ele em um gesto bruto da um tapa na cara de Maria que cai ao chão chorando mais ainda. O pai, ainda bêbado, se levanta e entra quebrando tudo na casa. Acaba batendo no cachorrinho de Maria que ao tentar defende-lo, com mais um gesto agressivo do pai cai e batendo a cabeça na mesa e acaba perdendo a consciência. Quando Maria acorda na esperança de aquilo tudo ter sido apenas um pesadelo, percebe, ao abrir de seus olinhos foi a mais triste realidade, enxergaram todo o estrago que havia acontecido ali. O coração de Maria estava em pedaços, seus irmão correram abraçá-la e chorando todos juntos começaram a arrumar a casa. Algum tempo se passou e toda a alegria de Maria estava escondida. Na escola ela agora era quieta, imóvel, mas com pensamentos inquietos e olhos totalmente inconsoláveis, sentimentos antes nunca sentidos despertaram, e Maria pela primeira vez se sentiu vazia, sentiu como é estar sozinha. Um ano se passou e o pai, evitava a olhar nos olhos desde então. Isso só fazia os sentimentos ruins aumentarem. Na manha de seu aniversario de 14 anos Maria teve uma grande surpresa… Com um sorriso meio sem jeito, com os olhos ainda apagados pelos erros cometidos no passado, cabelos bagunçados, seu pai a acorda com um pequeno embrulho na mão e diz:  “ minha pequena Maria, parabéns pelo seu dia… e se puder perdoe o seu pai, sabe o quanto cansa sentir falta, se sentir vulnerável ? “
Maria com lagrimas nos olhos, responde ao pai: “sabe papai, a muito tempo eu vinha procurando nesse teu olhar sinceridade, afeto e amor, coisa que as cicatrizes de um passado doloroso apagou do senhor, mas sim eu te perdôo, e sim nesse ultimo ano eu aprendi com muita dor o que é se sentir vulnerável, principalmente o que é ser vulnerável a sentimentos indesejados. “ ela pega o pequeno presente, e o pai sem resposta a sabia resposta da filha, deixa escorrer uma lagrima e com passos apreensivos vai se afastando antes que ela abrisse o presente.  Maria  abre o presente, e vê que é uma corrente,  linda corrente, no mesmo instante se levanta da cama, e, com seus passos desajeitados como os de quem acabou de acordar, procura com os olhos cheio de lagrimas a imagem de seu pai. Ao vê-lo na cozinha, tomando café ela corre gritando “ pai, pai, pai…” o homem assustado se levanta da cadeira e é surpreendendo pelo mais lindo gesto de carinho que a uma filha pode dar ao pai um abraço. O sorriso do velho homem não servia no rosto que chegou a ganhar vida, Maria, voltou a ser feliz, sorridente e diferente novamente. Essa diferença já estava fazendo falta.
Acabou a melancolia, acabou a tristeza, acabou a vontade de sumir do mundo, ela agora queria viver. Em uma sexta-feira, Maria acorda se sentindo meio mal, mas mesmo assim vai a escola. No caminho encontra miau, que se esfregando em suas pernas como um gato, a alegra e faz todo o mal estar passar. Sentada em sua carteira, fazendo as contas complicadas de matemática, ela solta uma gargalhada e fala “ Amanha é sábado” rindo descontroladamente, Maria teve que sair da sala de aula pois estava atrapalhando a concentração dos outros alunos. O sinal bate, e Maria corre para porta da escola, saltitando, cantarolando, rindo e até chorando… Todos a olham até que alguém solta “ Maria voltou gente “. Ela abraça o pulguento e vai pra casa, agora com a mesma força e beleza interior de sempre.
No sábado, ela se levanta mais cedo que o pai, arruma a casa, passa as camisas amassadas do velho, arruma a mesa do café, e em pequenos passos, ela envolve o pai em um abraço e fala em seu ouvido bem baixinho “bom dia meu anjo da guarda”. O pai então acorda disposto e corre atrás da filha pela casa e a enche de beijos e abraços. Os dois parecem bobos, olham pro teto e dão risada, olham pra cara um do outro e com a boca fazem coisas estranhas, que são bastante engraçadas, o pai decidiu não trabalhar esse sábado para passar mais tempo com os filhos e com Maria. Victor e Valter, brincam de lutinha no quarto, Maria aproveitou o silencio de Pedro para ler seu livro, e o pai tomava um banho para relaxar. Depois de um dia cheio de alegrias e momentos felizes, o pai pega os colchões e os coloca na sala, todos dormem ali, abraçados, unidos como nunca.
Ao acordar lá pelas 11:30 no domingo, Maria toma um banho já se preparando para uma jornada de trabalho que vai das seis da tarde até as onze da noite. O pai acorda preguiçoso, prepara o café para as crianças e os prepara para levar na casa da tia Marilda, que fica com eles até o trabalho de Maria e o dele acabar.
Depois de deixar os meninos na casa da tia, ele e a Maria vão para o trailer. Assim começa um dia corrido de trabalho. O pai de Maria resolveu sair para comprar o que faltava e a deixou pela primeira vez  cuidando do caixa. Ao sair, uns caras estranhos chegam no local, Maria fica desesperada pois vê que eles tem uma arma. No seu caminho para o mercado, o pai de Maria percebe que esqueceu a carteira, e volta para o trailer, ao chegar lá, vê que tudo esta de perna para o ar, as pessoas estavam no chão, Maria encolhida em um canto com uma arma em sua cabeça chora desesperadamente. Seu pai, ao ver a pequena tão indefesa, implora para os assaltantes soltarem Maria, um deles a pega pelo cabelo e a empurra, e ela cai lentamente em um abraço seguro do pai, que chora por ter a filha ali, em seus braços. O pai de Maria resolve então tentar se livrar dos assaltantes, e começa a discutir, Maria pede para que o pai para, e ele grita com ela e a manda ficar quieta. Quando ele faz isso, um dos homens diz: “você deveria aprender a escutar sua filha” e aponta uma arma para ele. Sem reação ele fecha seus olhos e escuta o homem apertar o gatilho da arma. Tudo então parece ter acabado quando ele escuta um grito desesperado de dor, ele abre seus olhos e vê que ainda esta ali, vivo. Ao olhar para baixo vê Maria, caída, sangrando. Ele chora e abraça a filha repetindo muitas vezes “minha Maria, não me abandone, não me abandone “ Maria respira fundo, e com os olhos se fechando lentamente diz ao pai “ Já superou tantas coisas meu pai, não vai ser a minha ausência em vida que ira te fazer desistir de tudo” e fechas seus olhos ficando assim em um eterno silencio. É não teve jeito, a pequena Maria se foi, o exemplo de alegria partiu para um descanso, partiu para chorar ao lado de Deus quando estiver com saudade de seu pai e de seus irmãos. A ultima vez que ouvi falar da família de Maria, foi no seu enterro, me lembro exatamente das palavras de seu pai que sinceramente, foram as mais belas expressões de saudade e amor que eu já escutei, elas foram assim: “ Maria, minha filha, meu anjinho da guarda, ganhou asas, vai voar, pra longe de mim, mas sei que longe ainda estará perto, só me pergunto hoje e pro resto da minha vida em quantas lagrima eu irei conseguir descrever saudade e em quantos sorrisos irei conseguir encontrar verdade depois que minha querida filha se foi…” 

Julia Del Poço in   " E Maria só tinha 14 anos"

quarta-feira, 21 de março de 2012

Ele se chama Rodolfo


Porque em uma folha de papel se pode escrever a mais bela história de amor, ou a mais bela canção em melodia romântica. Mas ele já estava cansado dessas velhas histórias, os dramas reais de vida e morte são mais fortes e emocionantes. Ele também já não era uma criança que se apaixonava ao ver um belo sorriso sobre a luz da lua. Já até podia se dizer que o amor para ele só se encontrava na escrita. Só se via um pequeno semblante de alegria quando ele se sentava em frente de sua velha máquina de escrever e ficava por horas olhando aquelas letras e arregalando seus olhos pouco antes de começar a digitar. Racionalidade só era percebida em seus escritos que traziam sempre o jovem que pensava meticulosamente o que faria quando se defrontasse com a morte. 
A morte já tinha se tornado um alvo cotidiano de seus contos, era entendida como uma vilã ao começo mas ao final se via que a morte era só um desabafo de um rapaz que deixava os seus sofrimentos sobre o chão de um quarto de piso gelado, cadeira rústica ao canto acompanhado de uma carteira de madeira grossa, bastante empoeirada, com incontáveis folhas em branco. Uma enorme janela ás costas com vidros sempre fechados e cortina vermelha tapando qualquer luz natural. 
O tal rapaz não era velho, era ainda novo. Mas a barba mal feita, o descuidado consigo mesmo, já por não ter vontade, fazia-o ter uma aparência mais antiga, como de um velho arrojado, parecia pré-potente e vicioso. Seu colete cor pálida sobre seu suéter cinza suas calças agarradas mostrava que fora teimoso em resistir as mudanças da sociedade. Apesar de não conviver com a sociedade, ele sabia quais eram seus pensamentos e divergências, desconfiava de que um dia ela fosse se perder não tendo um modelo a seguir e causaria um caos. Portanto acabou se fechando a tudo e a todos. Só se via o garoto, vagando de um canto a outro de sua casa, sempre com olhos arregalados, parecia o tempo todo meditar. E assim que entrava no quarto com aquele papéis espalhados ao chão, sentava em sua cadeira e parecia desabar todos os pensamentos em pequenas letrinhas deixando sua vida e receios ali.

Cansou. Cansou da monotonia e foi-se. Foi descobrir o além do desabafo, o permanente fim das escritas dramáticas. Vai-se como um pássaro e só volta como uma brisa. Somente o que ficou foi cinzas de papéis e letras queimadas, versos apagados e melodias sem som. O corpo queimado junto a todos desabafos do jovem, ou velho, ou agora morto rapaz. As únicas folhas que sobram sob a carteira iniciavam:  
 Carta De Suicídio… 


- Fragmento de João Pedro Silveira in "Ele se chama Rodolfo" 


quarta-feira, 7 de março de 2012

Um temporal daqueles




É tão intenso que não cabe aqui dentro e acabavam escorrendo em lágrimas de gotas de chuva em meio a um temporal que parecia não ter fim. E não tinham mais as borboletas que estavam no jardim, a moça que passava assobiando por ali não passou naquela tarde escura, seria tarde ou já uma noite ? O colorido das flores se desfez, o brilho das plantas mudou de endereço, os espinhos, até mesmo eles, se desapontaram   com a estação daquele dia. Seria será um outono mais triste que o inverno ? Outono era liberdade, se desprender e não ter rumo pra tomar, desprender-se da melancolia do inverno. A rosa. Aquela que não via estação ruim, não tinha medo dos trovões, ou da chuva cor de lágrima, que assobiava junto a Dona que passava todos os dias, tanto também dava bom dia aos pássaros todas as manhãs. Ela mesmo, A rosa, que abrilhantava o jardim e encantava a qualquer olho que já não estivesse afundado na chuva pesada. Todo aquele frio outono apagou a rosa. Ela ficou desprezada. Não havia olho que não passasse por ali e caísse em tempestade profunda, assim nem notava a presença da pequenina rosa. Que sempre diminuía. Quando notado a presença contemplavam-na como mais um adjetivo molhado. Adjetivo que afundava a rosa em tempestade. A rosa ferida, perdeu seus espinhos, perdeu seu brilho, ficou fraca, estremecia por dentro, estava        murcha por dentro, já estava até despetalada e pálida. Por tempos de inverno ainda não se sabe como a morte não passou de dentro para fora. A simples rosa perdurou. De estação a estação a pequena, cresceu. Amadureceu. Se fortificou, tomou de volta tudo o que o esquecimento tinha tomado dela, e quase como em um passe de mágica se embrulhou como um presente, novo e bonito. Pôs-se até um laço nela. Por trás de tanta beleza haviam novos espinhos, antes desapontados, mas agora afiados. Por depois de tanta tristeza, tempestade e desencantamento a rosa abrilhantou novamente o jardim e tudo que se encontrava perto. Agora muito mais do que antes, ela estava preparada para qualquer tempestade, mas com muita beleza o esperando. 
- João Pedro Silveira    in " Um temporal daqueles" 

sábado, 3 de março de 2012

Saudade de ter você coração.


E do nada uma palavra muda todo o teu coração. E do nada, subitamente, aparece uma louca, grande, gigante, enorme, incontrolável vontade de você. E simplesmente surge uma incansável vontade de chorar e um coração pesado que sempre parece que vai estourar saindo pra fora tudo aquilo que olhando em teus olhos deixei de falar. Assim tão inesperadamente brota um desejo de ter você, como minha. Saber que ao ouvir “amor”  vai ser de mim que você vai lembrar, que aqueles momentos que passamos juntos, vai ser disso que virá a sua mente quando você se deitar. Tá tudo muito espremido. Ah mas como isso dói. Que saudade do teu sorriso, dos teus bicos, caretas. Da tua voz. Eu ouço, eu escuto, o som da sua voz em meus sonhos. Não estou aguentando mais, vem dividir comigo tudo isso que tá guardado aqui dentro, não tá cabendo tudo só comigo amando. Eu divido com você, coração. 
- João Pedro Silveira in Saudade de ter você coração. 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Dos Castelos aos Corações

Um amor que nasceu e foi crescendo. Como um daqueles desenhos que colorimos juntos, foi criando cor. Como um daqueles nossos passeios de bicicleta foi tomando seu rumo para casa. Como nossas intrigas que sempre terminavam com mais uma brincadeira. Naquela janela colorida te via com teus longos cabelos loiros e cacheados com aquelas longas fitas que desciam até seu ombro. Achava tudo aquilo tão belo. Parecia com aquelas bonecas que eu queria me casar quando fosse grandão. Ou ás vezes vinha descendo as escadas tão delicadamente e com um lindo sorriso no rosto parecendo uma princesa daqueles castelos com reis e rainhas. Eu tinha vontade de ser teu príncipe mas não ligava de só ser o teu bobo da corte. Ah sim minha princesa você cresceu. Mas continua sendo uma linda princesa, minha linda boneca. Será que depois de ter lutado pelo teu coração todos esses anos ao menos me tornei um honroso cavaleiro de teu reino ? Não sei. Mas continuo não ligando de ser só seu bobo da corte. Só pra passar o tempo todo perto de você, dando-lhe as mais belas gargalhadas e os mais grandiosos sorrisos. Guardo até hoje aquela fita de cetim que você deixou cair de seus cabelos, acho que já não mais guardo e sim escondo. Escondo de tudo e todos, mas não adianta meu coração e meus olhos quando estão perto de você mostram muito mais que uma fita guardada de um amor de infância, mostram todo o amor de uma vida quase inteira e que vai durar pro resto da vida.

- João Pedro Silveira in dos Castelos aos Corações 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O doce gosto dos teus beijos. Sua voz suave. A textura de sua mão. Foi tudo que eu lembrei enquanto a chuva tocava meu rosto. Junto com minhas lágrimas descia, escorria por toda minha face até cair no chão como meus sentimentos e meu amor. E ao fim se acabar. Era olhar ao chão, pois não conseguia olhar o céu e se lembrar que existia amanhã. Olhar baixo, via as lágrimas se secando. E me lembrava tudo de novo. Mais uma lágrima saia. Muitos pingos me tocavam. Mas não me importava, queria mais que a chuva lavasse a alma e levasse tudo junto dela. Eu dizia seu nome, esperando que você chegasse. A chuva cessasse. E minhas lágrimas você secasse. Mas só minha voz, e os pingos de chuva caindo, alguns raios, e sua voz; Suave ao fundo. Era o que eu escutava. Eu somente me deitei ao chão, esperando a chuva que viria pra lavar alma. Deitei para esperar. Esperar passar o que jamais queria ter sentido. Esperar o que jamais podia imaginar que aconteceria. Você também. Foi embora. Não Ficou. Se foi. Me desapontou.


-João Pedro Silveira in As tais lembranças 

domingo, 5 de fevereiro de 2012


Não dá mais pra aguentar. Bastam segundos, e você, de novo? Mas o combinado não era te esquecer? tem como isso? Esquecer?  É, to desistindo. É você que eu amo. Não dá mais pra ficar brincando de inventar amores pra disfarçar o que sinto por você, se cada vírgula que mudo nessa história é pra você que peço ajuda. To precisando falar com você, não tenho nem o que mais falar além de, eu te amo. Está cada vez mais difícil ser eu, sem você, ser eu no singular. Já me cansei de escrever pra você, mas o meu amor por você não se cansa e acabo desabando em palavras melosas pra você. Porém acho que você sequer lê tudo isso, ou percebe tudo que ainda sinto por você. E você que é minha menina que todas as noites antes de dormir eu começo a pensar, a imaginar os nossos dias juntos. Você é aquela que de maneira derradeira me impede de seguir meus conselhos do desapego. Ao quem quer que eu seja, começo a brincar com sorrisos quando me lembro de você, desenhar rabiscos de coração esperando que você transforme naquele coração torto, desarrumado mas de um jeito que caiba perfeitamente nós dois, mesmo que fique um pouco apertado, não ligo de ficarmos bem perto.  Tão desconcertante é quando tenho sua serenata toda pronta, a voz e o violão mas só canto ela dentro de meu quarto enquanto imagino sua voz cantando junto comigo, todas aquelas músicas de melodias calmas e apaixonantes, balançando nossas cabeças de um lado para o outro. 

- João Pedro Silveira in Um "Chega" !

sábado, 21 de janeiro de 2012

Realidade do Amanhã




Difícil tentar imaginar que amanhã posso não acordar, sem ter feito maiores loucuras durante a vida, sem ter te encontrado e te tocado dizendo que te amava, sem estar em cima de um altar com uma gravata apertando meu pescoço com o coração a 200 batimentos por minuto com as mãos suando de nervosismo com uma garota muito perfeita com um Lindo vestido branco e um longo véu vindo em minha direção acompanhada de uma pessoa que cuidou dela pela vida toda e agora estava entregando sua princesa para eu cuidar… sem deitar em um sofá com você e comer pipoca vendo filmes de comédia, sem ter a nossa briga que terminou em beijos, sem brigar por quem ama mais, sem discutirmos o nome dos nossos filhos. É difícil de aceitar essa realidade, que foi planejada por mim desde o momento em que nasci. Pois em meus sonhos você sempre esteve sempre estará presente, pois junto a mim em meu coração você sempre esteve. No entanto tento fazer do meu/nosso presente o futuro que nós dois sonhamos.

-João Pedro Silveira in Realidade do Amanhã
 "O amor, pode superar a tudo se for verdadeiro. Invade teu peito, sem bater na porta. Muda sua vida sem pedir licença. Bagunça seus outros sentimentos sem pedir por favor. E todo singularidade do mundo se torna mais viva a dois, mais viva com amor, com amor bem dividido, bem vivido. Oculto dentre os olhos, vivo entre sorrisos e guardado em corações. Os amores, são parte da nossa historia, nosso primeiro amor sempre marca, nosso primeiro beijo nunca é esquecido"

- João Pedro Silveira in "Ah o amor! "

Melhor amiga,


quando você estiver no chão, quando você perder sua cabeça, quando palavras já não tem sentido, quando lagrimas se tornam rotina e sorrisos se tornam aparência. Saiba que estou aqui, para te fazer sorrir, para cuidar de você, mesmo distante estaremos sempre perto. Estarei sempre te olhando, sempre te vigiando, te guardando e  cuidando de ti. Assim como eu fiz todo esse tempo que você se tornou uma das pessoas mais especiais. Pode ser longe, mas pode ser tanto nossa amizade. Pode ser difícil, mas pode ser vencemos. Se um dia talvez, eu te pedir pra me esquecer ou mesmo eu te abandonar. Por favor, não me deixe fazer isso, pois estarei fora de mim. Teu ombro amigo pra mim é necessidade, não me faça viver sem ele. Sempre que você derramar uma lagrima, lembre-se do que eu te disse. Não ligo de você chorar, não ligo de você chorar na minha frente, eu ligo de você estar chorando por tristeza. Sabe por quê?  Porque não estarei cumprindo o que é propósito em meu coração, que é te fazer sorrir, é deixar você feliz.

-João Pedro Silveira in Carta para Melhor amiga.

Não se perca, olhe pra frente

Pois voe passarinho, e se desprenda de toda a destreza desse mundo. Voe calmamente, e assim que plainar, sinta o vento contra você […] Mas não maior, que a força do seu voo. Assim que tiver que bater as asas novamente, se lembre de que a cada batida é um laço que você desata do passado. Quando parecer que for cair, não se desespere as terras novas já chegaram. Elas te acolherão, e se você se cansar você tem outro voo pra te esperar. Se tiveres força pra jamais parar, contemple a bela vista; Ao olhar se lembre das boas lembranças de caminhos que se passaram, mas não se perca, olhe pra frente. Tem um imenso céu esperando as suas asas para bater

-João Pedro da Silveira in “Não se perca, olhe pra frente”

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Saudades.




Nos momentos em que a tristeza me aparece, sua felicidade me consome. Nos momentos em que penso em desistir você me mostra seu sorriso e me mostra que vale a pena lutar cada dia por um amanhã melhor. A cada palavra de conforto que você me dá, meu coração se sente mais aconchegado diante do teu amor. A todos os instantes que passo falando com você, meu coração aperta com uma infinita vontade de ir correndo para os seus braços nos momentos em que simplesmente o seu ”eu te amo” me leva um dia inteiro de um sorriso, ou de uma noite inteira de lágrimas de dor por você não estar ao meu lado. Pelo intrigante fato de poder te chamar de minha, enquanto o que tenho de você é seu amor pois quilômetros de distância me separam de ti. Quando nas suas palavras consigo me acalmar, quando suas palavras me acalmam somente dizendo para eu esperar por que o Futuro é nosso. Me pego a todos os momentos pensando em você, assim com êxtase posso dizer onde quer que você esteja você terá a mim a cada segundo que precisar, para cuidar de você.                                                
  
- João Pedro Silveira in Saudades.

Então me abrace.




Então me abraça, e me mostra que o mundo mesmo sem sentido pode ser vivido,  que a vida com você valerá a pena. Então me abraça e me consola de todos os males que são notáveis em mim, de todas as dores que deixei escapar. Me abraça e isola todas as angústias que se podem ter, e tira de mim a carência que por só agora te ter. Então me abraça e me faz provar do gosto do mundo do prazer, de ter teu corpo junto ao meu, de poder sentir sua respiração ofegante do calor do meu corpo no seu. Então me abraça e afasta toda cotidianidade existente em mim, tudo que era passado se vá, e tudo que há de vir ocupe o espaço vazio que se precipita em existir. Me abraça e ocupa o vazio, preenche a todos os espaços e a cada um deles com ar de nova esperança e rumo novo a seguir, chegue com teu cheiro marcante causando sensações. Então me abraça, e me faça borrar todas as memórias que existem, que as lembranças fiquem, pois só me lembro dos momentos bons, agora o que está lá dentro pode apagar, você virá e escreverá uma outra nova estória, não quero mais uma estória clichê, quero uma insana história que me faça rir, não quero mais uma estória agora estou esperando pela nossa história. E por fim me beije, e me faça sentir, somente sentir, nada, além disso […] o amor que há em nós. 

- João Pedro Silveira in Então me Abrace.

Me desfaz em mil pedaços.




De que adiantou tantas juras? De que adiantou tanto amor? Se sempre no final você desapareceu. Tentar ser, tentar aguentar, tentar agradar… Se fez assim nos últimos tempos o nosso amor. Você me ensinou a voar, na imensidão do infinito.  Ensinou-me como sempre olhar pra frente e jamais parar. Você me ensinou a resistir a todos os obstáculos por seu motivo que é maior. Dentre tudo me ensinastes a não desistir. Mas você não me ensinou como levantar-se de novo depois de um tombo. Você não me ensinou a como desistir de algo que nem se lembra mais de ti. Seu cheiro se foi, só sobraram as lembranças dele na minha mente. Sei que procurar ele em outros corpos, mas é como se fosse meu oxigênio que vai se perdendo cada dia mais. Até pensei que se continuasse assim, se perdendo cada dia mais e mais, eu iria ao fim esquecer. Mas percebi que o que está se perdendo sou eu, sem meu oxigênio. Eu procuro a cada detalhe enxergar, uma saída pra ter o alívio dessa saudade, que me mata, me rasga e me desfaz em mil pedaços. Mas a cada detalhe eu me perco mais, e me perdendo vou necessitando cada segundo, cada momento mais e mais precisando de você. Os dias amanhecem mais escuros, o sol parece não mais se por, a lua com seu brilho que me lembrava de você… Parece que se escondeu, desenganou, sumiu, não volta mais. Só vai deixar as noites mais escuras, pra que ninguém enxergue meus olhos, que procuram por você mas continuam só olhando o brilho da lua. Mas agora só acho a escuridão. Que entorpece meus passos, inseguros. Mas que não param em busca que um dia volte ao caminho com o oxigênio, onde o sol se põe, onde a lua brilha […] O caminho que trilharei com você.

- João Pedro Silveira in “Me desfaz em mil pedaços”.
“Por Favor,
Uma aplicação de morfina,
No coração.”
— João Pedro

Ops! Meus pensamentos...

Hoje senti a solidão. Não por estar sozinho, não por não ter ninguém perto. É que tomei a astucia de me perguntar; Cadê você? […] Você não está aqui. Eu senti tua falta arder por dentro, com olhos em lágrimas e forte batidas vindas do peito. Secando minhas lágrimas, petrifiquei meu coração. Jamais para parar de sentir, mas para que a dor cessasse. Mas a saudade voltou, meu coração se desfez e a dor se solidificou. Cadê você, minha pequena, não era você que me fortalecia pra espantar a dor e apaixonar-me pelo amor? Talvez nossa rotina clichê te decepcionou. Atingi os mais altos sonhos, preenchi os mais belos pensamentos de que nossa vida era diferente. De que as palavras não foram em vão ou que os olhares não se distanciaram ou mesmo que nossos mãos nunca desuniram-se. Desmoronei em meus devaneios. Será correr atrás de tudo? Será fazer tudo diferente? Será pedir que você voltasse?  Arquitetei as maneiras de te ter de volta, mas não sei se orgulho ou mesmo se me valorizei submeteram-me a proeza de não fazer nada. Aliás, eu faço… faço mil pensamentos e sonhos de te ter. 

- João Pedro Silveira in Ops! Meus pensamentos...

Baú de Cartas



 Passei o dia todo pensando em nós, como se eu já não fizesse isso nos outros dias. Mas agora a emoção é diferente, vejo que tudo mudou. Nós dois crescemos, espero que tenhamos ficado mais maduros para não brigarmos por coisas bobas. Ou mesmo que briguemos por coisas bobas, as mais bobas que sejam, mas tudo termine em beijos e carinhos. Está tão forte aqui dentro, coração está tão cheio que as palavras saem, seria agora capaz de me declarar a você. Mas, sempre temos os nossos “mas” […] A distância me impediu. Por isso escrevo essa carta, não para me declarar, pois você pode me achar clichê como fui antes, e serei igual aos outros que te mandam mil cartinhas de amor. Eu só vim lhe trazer a verdade, a mesma que os pássaros cantam nas canções, a que está estampada no sorriso que damos um ao ver o outro. Nós podemos negar, podemos até mesmo adiar, mas a nossa hora vai chegar. Pequena por favor, não se perca nas ilusões. Eu não posso mais agora cuidar de ti, você afastou-se, de mim já se perdeu. Só peço-te que não se perca nas ilusões para que eu saiba que quando a nossa hora chegar eu possa te buscar. Buscar minha pequena, e trazer aos meus braços pra enfim eu te fazer Feliz. Busco também expressar, que meu amor por você vai ser para sempre enquanto durar, e que assim que perceber que é minha e eu sou seu, eu estarei aqui, esperando. Enquanto isso eu ouço os pássaros cantarem, vejo seus sorrisos e vejo as pilhas de carta que se formam em meu quarto para ti. As fotos nossas, que um dia tentei jogar fora. Recuperei. Vi que é em vão qualquer vontade minha de por esse tempo, esse período te esperando, seja meu. Que você deixe um pouco de passear pelos meus devaneios. Que os nossos laços se desatem, mas saibam voltar ao mesmo nó. Mas foi impossível. Mesmo sabendo que está por vir, sabendo que um dia há de chegar. Meu futuro; Nosso futuro não sai dos meus sonhos, não sai da minha imaginação. E agora nossas fotos guardo-as sobre as cartas para você. 

-João Pedro Silveira in Baú de Cartas