E casualmente tudo se transformou tão informal, daquilo que era uma grande amizade, um meu amor secreto por você, se tornou quase como dois desconhecidos. Mesmo que eu tente se faz indiferente a mim como se eu fosse um passado, mas o verbo amar era pra ser no gerúndio não ? Por isso não combina somente eu dizer que estou te amando. Perceptível então que o pseudo amor que era secreto, se tornou algo confidencial, pois agora ele se fez secreto a mim mesmo. Escondi-o debaixo de todos os meus escritos na gaveta mais funda, situada no baú mais velho e empoeirado que encontrei. Contudo, os versos dos escritos não afugentaram todo o amor que estava guardado nem toda a poeira que seria uma barreira conseguiu conter esse amor. E todos os versos dramáticos, todas os tristes fins se transformaram assim que foram tocados pelo amor, assim como todos percebem o odor de uma bela rosa e se encantam, assim aconteceu com todos que conheceram por aquele amor, mesma a poeira mais petulante que sujava a gaveta se rendeu a valentia desse amor. Que cada vez mais, cada segundo mais, inchava a gaveta e se dilatava como minhas pupilas ficaram ao ver você naquela noite. E assim faço a maior descoberta que já ouvi falar em historias de botequim. Descobri o seu segredo pra quando chegar perto a mim me faça um bobo, me faça ser o quão mais inocente e atrapalhado possível. Você sempre vem e abre essa desbotada gaveta e na fragilidade de todo esse amor desmedido, se expandi a um modo que nem imaginava poder deixando-me em suas mãos. De tudo isso valeria a pena, todo o medo e temor a voz repelente e o olhar baixo, se tu chegasses em meu ouvido e sussurrasse as palavras que escrevestes em teu poema ao teu amor. Agora vago lá, se foi para mim, no entanto meu coração, em sua fragilidade de amor, sem sua proteção diz que foi para ele, sente esse amor vibrando e fazendo bombear cada vez mais sangue deixando minhas mãos tremulas, assim como o racionalismo do meu ser diz que ela se quer se lembra daquela noite em que trocamos olhares. Logo então desvio meu olhar rapidamente e volto com mais um verso pra se sobrepor ao amor dentro da gaveta. O novo escrito não se sabe o nome mas sabe-se que ao fim de cada verso se tem a interrogação da incerteza.
- João Pedro Silveira in "Interrogação"
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