sexta-feira, 27 de abril de 2012

Serenata


E se eu disser que te amo? E se eu agora te ligar e falar as mais lindas juras de amor, por ti? E se eu disfarcei tão bem esse tempo todo, sendo seu amigo, mas na verdade querendo ser seu namorado? E se eu lhe dizer que tudo que eu escrevi foi pra você? Que todos os sorrisos sinceros, foram por você? Que todas as angústias, eram só por te ver mal ou por você não perceber tudo que eu sentia? Ah seria delírio meu acreditar em tudo isso, o máximo que consigo é gritar com meu silêncio que te amo. Não foi tão por acaso que todos os dias sigo a todos seus passos, e me passo de bobo só pra… pra ter você um tanto a mais perto de mim. Arranjo desculpas, invento histórias só pra dizer que preciso estar perto de você. Mais coisas de minha cabeça, tantas coisas, tantos contos de fadas em que nós tínhamos o final feliz. Se eu te falar que já não aguento mais de saudade, se eu suplicar com meus olhos, se eu suspirar de saudade você mata ela ? Tá batendo tão forte aqui agora, to achando que irei precisar de você pra acalmá-lo. Você que está lendo deve estar achando isso clichê demais ou meloso demais, mas se você for você, eu sei que não vai. Vai estar achando a coisa mais fofa, eu sei que adora mimos. Voltando a me declarar a você, não posso me esquecer de dizer uma coisa. MATA O QUE ESTÁ ME MATANDO. Não adianta, já tentei em outras, mas não passa. Não sei como, só você mata essa minha carência. Acho que até vou mudar a forma como chamo, não é carência, e sim falta de você ou carência de você. E por fim, não quero demagogias ou pedidos implorando a nada. Só peço:
-Sorria!

-João Pedro Silveira in "Serenata" 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

"Teus Braços"

"Então me abraça, e me mostra que o mundo mesmo sem sentido pode ser vivido, que a vida com você valerá a pena. Então me abraça e me consola de todos os males que são notáveis em mim, de todas as dores que deixei escapar. Me abraça e isola todas as angústias que se podem ter, e tira de mim a carência que por só agora te ter. Então me abraça e me faz provar do gosto do mundo do prazer, de ter teu corpo junto ao meu, de poder sentir sua respiração ofegante do calor do meu corpo no seu. Então me abraça e afasta toda cotidianidade existente em mim, tudo que era passado se vá, e tudo que há de vir ocupe o espaço vazio que se precipita em existir. Me abraça e ocupa o vazio, preenche a todos os espaços e a cada um deles com ar de nova esperança e rumo novo a seguir, chegue com teu cheiro marcante causando sensações. Então me abraça, e me faça borrar todas as memórias que há, que as lembranças fiquem, pois só me lembro dos momentos bons, agora o que está lá dentro pode apagar, você virá e escreverá uma outra nova estoria, não quero mais uma estoria clichê,quero uma insana história que me faça rir, não quero mais uma estoria agora estou esperando pela nossa história. E por fim me beije, e me faça sentir, somente sentir, nada além disso[…] o amor que há em nós."


-João Pedro Silveira in Teus Braços 

sábado, 21 de abril de 2012

Epidemias

Faz tempo que não escrevo pra você, não é querida ? Espero que tenha, como eu, sentido falta de cada palavra ou da melodia que se cantava dentro do coração quando minhas serenatas você lia. Mudei bastante nesse tempo, amadureci exageradamente, mudei meus pensamentos e propósitos. Deve ter percebido desde o princípio, conhece mais a mim do que eu mesmo. Mudei até o jeito com que te chamo, foi sem perceber, foi sem querer. Mas eu entendi você cresceu. Nós crescemos. Acho só que esse tempo silencioso, que somente as gotas da chuva que caía falava por nós, foi uma confirmação , uma certeza que vinha e o mais rápido que podia já se ia. Como um raio cheio de luz dentro de uma tempestade. Todo esse tempo esse raio bateu, bateu mas nós não percebemos. Confirmando que não importa o tempo que passar, o quanto crescermos ou o quanto mudarmos, nosso amor vai continuar dentro de nós. É pelo menos espero que você também tenha visto o mesmo raio que vi. E quanto mais o tempo passar mais ele vai crescer, e nesse silêncio ele só vai crescer mais e mais, como nós. Cessa o silêncio, querida. Um simples olhar, eu irei entender tudo o que você escondeu por todo esse tempo e tudo que você quer dizer para mim. Seu “Romeu” sempre vai estar disposto a matar e morrer por você. Deve agora estar achando estranho, passar todo esse tempo e eu ser o mesmo apaixonado por você, que faz loucuras, e que combina palavras pra te conquistar cada dia mais. Mas nada mudou, ou melhor, mudou sim. Como já disse tudo aumentou, veio a saudade e explodiu. Tá tudo exposto agora. Estou me sentindo indefeso, sem saída e sem chão, mas fazer o que. Arriscar pra te ter. Mas eu não quero desistir, eu cresci, amor cresceu. Agora querida, só cabe a você olhar para o seu Romeu."
- João Pedro Silveira in Epidemias  

domingo, 8 de abril de 2012


E a saudade gritava em seu peito: 
- Cara, desapega!

-João Pedro Silveira. 

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Interrogação


E casualmente tudo se transformou tão informal, daquilo que era uma grande amizade, um meu amor secreto por você, se tornou quase como dois desconhecidos. Mesmo que eu tente se faz indiferente a mim como se eu fosse um passado, mas o verbo amar era pra ser no gerúndio não ? Por isso não combina somente eu dizer que estou te amando. Perceptível então que o pseudo amor que era secreto, se tornou algo confidencial, pois agora ele se fez secreto a mim mesmo. Escondi-o debaixo de todos os meus escritos na gaveta mais funda, situada no baú mais velho e empoeirado que encontrei. Contudo, os versos dos escritos não afugentaram todo o amor que estava guardado nem toda a poeira que seria uma barreira conseguiu conter esse amor. E todos os versos dramáticos, todas os tristes fins se transformaram assim que foram tocados pelo amor, assim como todos percebem o odor de uma bela rosa e se encantam, assim aconteceu com todos que conheceram por aquele amor, mesma a poeira mais petulante que sujava a gaveta se rendeu  a valentia desse amor. Que cada vez mais, cada segundo mais, inchava a gaveta e se dilatava como minhas pupilas  ficaram ao ver você naquela noite. E assim faço a maior descoberta que já ouvi falar em historias de botequim. Descobri o seu segredo pra quando chegar perto a mim me faça um bobo, me faça ser o quão mais inocente e atrapalhado possível. Você sempre vem e abre essa desbotada gaveta e na fragilidade de todo esse amor desmedido, se expandi a um modo que nem imaginava poder deixando-me em suas mãos. De tudo isso valeria a pena, todo o medo e temor a voz repelente e o olhar baixo, se tu chegasses em meu ouvido e sussurrasse as palavras que escrevestes em teu poema ao teu amor. Agora vago lá, se foi para mim, no entanto meu coração, em sua fragilidade de amor, sem sua proteção diz que foi para ele, sente esse amor vibrando e fazendo bombear cada vez mais sangue deixando minhas mãos tremulas, assim como o racionalismo do meu ser diz que ela se quer se lembra daquela noite em que trocamos olhares. Logo então desvio meu olhar rapidamente e volto com mais um verso pra se sobrepor ao amor dentro da gaveta. O novo escrito não se sabe o nome mas sabe-se que ao fim de cada verso se tem a interrogação da incerteza. 


- João Pedro Silveira in "Interrogação"