É tão intenso que não cabe aqui dentro e acabavam escorrendo em lágrimas de gotas de chuva em meio a um temporal que parecia não ter fim. E não tinham mais as borboletas que estavam no jardim, a moça que passava assobiando por ali não passou naquela tarde escura, seria tarde ou já uma noite ? O colorido das flores se desfez, o brilho das plantas mudou de endereço, os espinhos, até mesmo eles, se desapontaram com a estação daquele dia. Seria será um outono mais triste que o inverno ? Outono era liberdade, se desprender e não ter rumo pra tomar, desprender-se da melancolia do inverno. A rosa. Aquela que não via estação ruim, não tinha medo dos trovões, ou da chuva cor de lágrima, que assobiava junto a Dona que passava todos os dias, tanto também dava bom dia aos pássaros todas as manhãs. Ela mesmo, A rosa, que abrilhantava o jardim e encantava a qualquer olho que já não estivesse afundado na chuva pesada. Todo aquele frio outono apagou a rosa. Ela ficou desprezada. Não havia olho que não passasse por ali e caísse em tempestade profunda, assim nem notava a presença da pequenina rosa. Que sempre diminuía. Quando notado a presença contemplavam-na como mais um adjetivo molhado. Adjetivo que afundava a rosa em tempestade. A rosa ferida, perdeu seus espinhos, perdeu seu brilho, ficou fraca, estremecia por dentro, estava murcha por dentro, já estava até despetalada e pálida. Por tempos de inverno ainda não se sabe como a morte não passou de dentro para fora. A simples rosa perdurou. De estação a estação a pequena, cresceu. Amadureceu. Se fortificou, tomou de volta tudo o que o esquecimento tinha tomado dela, e quase como em um passe de mágica se embrulhou como um presente, novo e bonito. Pôs-se até um laço nela. Por trás de tanta beleza haviam novos espinhos, antes desapontados, mas agora afiados. Por depois de tanta tristeza, tempestade e desencantamento a rosa abrilhantou novamente o jardim e tudo que se encontrava perto. Agora muito mais do que antes, ela estava preparada para qualquer tempestade, mas com muita beleza o esperando.
- João Pedro Silveira in " Um temporal daqueles"
Bom dia!!Só vim fazer uma visitinha,beijos.
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